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Porém, o choro, esganiçado e incontrolável, era emprestado. Era de Márcio.
Não se importava em embeber seu terno em sangue; abraçado à defunta, Márcio tentava entender.
Antes de tudo, precisava entender.
A primeira imagem que lhe veio à mente foi o beijo que Alicinha lhe deu, antes de sair de casa. Não havia traços de suicida naquela esposa plácida, que havia preparado o café-da-manhã, envolta na camisola transparente e que o havia incitado a fazerem sexo de ladinho, assim que acordaram:
- Não tenho tempo, amor. Assim, me atraso pro trabalho - foi o que Márcio respondeu, apressando-se para tomar uma ducha.
Alguma explanação havia, mesmo que ela parecesse inexistente naquele momento.
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Created on: 8/23/07 10:40 PM
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henrybugalho (94)
Formado em Filosofia pela UFPR, com ênfase em Estética. Especialista em Literatura e História. Mora, atualmente, em Nova York, com sua esposa Denise e Bia, sua cachorrinha.
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